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Eras um sonho bom, tão bom que julguei ser demais para mim, e por isso mesmo eras intocável.
Vivíamos mundos aparte. Percorríamos estradas paralelas e sem cruzamentos. E eu não me ia importando de te ver ao longe, à distância de dois universos incompatíveis, com esse teu ar altivo de quem tudo tem e nada teme, porque acha que nada pode perder.
Gostava de ti há muito tempo e esse tempo era curto demais para a minha fantasia que criava em teu redor.
Como nunca falei contigo, tratei de definir-te um timbre de voz, suave, pausado e másculo, como eu sempre gostei, imaginei-te umas mãos mornas e grandes e imaginei-te um coração do tamanho do mundo, onde eu esperava que o meu pequeno coração de menina pudesse caber por inteiro.
À parte disso, imaginava-te a levar-me até à praia, onde eu sempre gostava de ir, e lá davas-me a mão e percorríamos quilómetros de conversa, à medida que a maresia nos enchia os pulmões de saúde e o coração de felicidade.
No final da tarde, quando o sol começava a recolher, cobrias-me com a tua camisola e abraçavas-me para que eu aquecesse mais depressa.
E sempre terminávamos com um beijo de “até amanhã”. Assim adormecia todas as noites, com a tua voz a entoar na mente e no coração. Isso bastava-me por ora.
Não te conseguia imaginar de outra forma. Nunca questionei a tua índole, nunca questionei nada que não fosse abonatório aos meus olhos e aos olhos do meu coração.
Eras a minha meia ilusão, porque na realidade existias, mas não para mim. Existias apenas para os outros e para o resto do teu mundo, paralelo ao meu mundo, cuja ponte de passagem era o meu desejo de que esse fosso fosse diminuído de dia para dia.
Eram os outros que ouviam a tua voz, eram os outros que te tocavam, eram outras que te beijavam. Eu limitava-me ao teu beijo macio e imaginário. Bastava-me fechar os olhos e numa fracção de segundos lá estavas tu, sempre carinhoso e afável, materializado num beijo quente e apaixonado.
Era assim que ia vivendo os meus dias, meio perdida no meu mundo real e meio perdida no desejo de saltar para o teu.
Metade de mim a suspirar pelos cantos e metade de mim a chorar quando batia de frente com a realidade.
Por isso desejava passar a vida, um palmo acima do chão. A realidade era muito dura e cruel para ser enfrentada quando só queremos sonhar. Quando só queremos desejar que algo muito importante para nós aconteça.
E o que eu queria, era simplesmente um cruzar de olhares contigo. Não pedia mais do que isso. Imaginava que o destino e que a força incondicional do meu amor por ti, fizessem o resto.
Que a verdade te assaltasse o coração, tal como quando batemos de frente contra uma parede.

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Comentários

Anónimo disse…
texto jeitoso :)
Anónimo disse…
Às vezes também eu me imagino a dar passeios como esse ao lado de alguém que me faça mostrar... aquele sorriso que não custa, não se pensa... não se força, que vem de dentro para fora. Alguém que me faça sentir solto, descontraído... Mas até lá, acho que estou no caminho certo, começo a gostar de passear sozinho, a descobrir coisas novas e bonitas em mim.
Olha, no Sábado à tarde pago-te um café, se quiseres companhia!

Alinhas?
Anónimo disse…
:)

Alinho sim. Vamos tomar café naquele sitio, o verdadeiro, o nosso... onde só nós conseguimos estar horas sem dizer uma palavra... apenas ouvindo os pensamentos um do outro!

Jinho