(...)
(...)
Eras um sonho bom, tão bom que julguei ser demais para mim, e por isso mesmo eras intocável.
Vivíamos mundos aparte. Percorríamos estradas paralelas e sem cruzamentos. E eu não me ia importando de te ver ao longe, à distância de dois universos incompatíveis, com esse teu ar altivo de quem tudo tem e nada teme, porque acha que nada pode perder.
Gostava de ti há muito tempo e esse tempo era curto demais para a minha fantasia que criava em teu redor.
Como nunca falei contigo, tratei de definir-te um timbre de voz, suave, pausado e másculo, como eu sempre gostei, imaginei-te umas mãos mornas e grandes e imaginei-te um coração do tamanho do mundo, onde eu esperava que o meu pequeno coração de menina pudesse caber por inteiro.
À parte disso, imaginava-te a levar-me até à praia, onde eu sempre gostava de ir, e lá davas-me a mão e percorríamos quilómetros de conversa, à medida que a maresia nos enchia os pulmões de saúde e o coração de felicidade.
No final da tarde, quando o sol começava a recolher, cobrias-me com a tua camisola e abraçavas-me para que eu aquecesse mais depressa.
E sempre terminávamos com um beijo de “até amanhã”. Assim adormecia todas as noites, com a tua voz a entoar na mente e no coração. Isso bastava-me por ora.
Não te conseguia imaginar de outra forma. Nunca questionei a tua índole, nunca questionei nada que não fosse abonatório aos meus olhos e aos olhos do meu coração.
Eras a minha meia ilusão, porque na realidade existias, mas não para mim. Existias apenas para os outros e para o resto do teu mundo, paralelo ao meu mundo, cuja ponte de passagem era o meu desejo de que esse fosso fosse diminuído de dia para dia.
Eram os outros que ouviam a tua voz, eram os outros que te tocavam, eram outras que te beijavam. Eu limitava-me ao teu beijo macio e imaginário. Bastava-me fechar os olhos e numa fracção de segundos lá estavas tu, sempre carinhoso e afável, materializado num beijo quente e apaixonado.
Era assim que ia vivendo os meus dias, meio perdida no meu mundo real e meio perdida no desejo de saltar para o teu.
Metade de mim a suspirar pelos cantos e metade de mim a chorar quando batia de frente com a realidade.
Por isso desejava passar a vida, um palmo acima do chão. A realidade era muito dura e cruel para ser enfrentada quando só queremos sonhar. Quando só queremos desejar que algo muito importante para nós aconteça.
E o que eu queria, era simplesmente um cruzar de olhares contigo. Não pedia mais do que isso. Imaginava que o destino e que a força incondicional do meu amor por ti, fizessem o resto.
Que a verdade te assaltasse o coração, tal como quando batemos de frente contra uma parede.
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Eras um sonho bom, tão bom que julguei ser demais para mim, e por isso mesmo eras intocável.
Vivíamos mundos aparte. Percorríamos estradas paralelas e sem cruzamentos. E eu não me ia importando de te ver ao longe, à distância de dois universos incompatíveis, com esse teu ar altivo de quem tudo tem e nada teme, porque acha que nada pode perder.
Gostava de ti há muito tempo e esse tempo era curto demais para a minha fantasia que criava em teu redor.
Como nunca falei contigo, tratei de definir-te um timbre de voz, suave, pausado e másculo, como eu sempre gostei, imaginei-te umas mãos mornas e grandes e imaginei-te um coração do tamanho do mundo, onde eu esperava que o meu pequeno coração de menina pudesse caber por inteiro.
À parte disso, imaginava-te a levar-me até à praia, onde eu sempre gostava de ir, e lá davas-me a mão e percorríamos quilómetros de conversa, à medida que a maresia nos enchia os pulmões de saúde e o coração de felicidade.
No final da tarde, quando o sol começava a recolher, cobrias-me com a tua camisola e abraçavas-me para que eu aquecesse mais depressa.
E sempre terminávamos com um beijo de “até amanhã”. Assim adormecia todas as noites, com a tua voz a entoar na mente e no coração. Isso bastava-me por ora.
Não te conseguia imaginar de outra forma. Nunca questionei a tua índole, nunca questionei nada que não fosse abonatório aos meus olhos e aos olhos do meu coração.
Eras a minha meia ilusão, porque na realidade existias, mas não para mim. Existias apenas para os outros e para o resto do teu mundo, paralelo ao meu mundo, cuja ponte de passagem era o meu desejo de que esse fosso fosse diminuído de dia para dia.
Eram os outros que ouviam a tua voz, eram os outros que te tocavam, eram outras que te beijavam. Eu limitava-me ao teu beijo macio e imaginário. Bastava-me fechar os olhos e numa fracção de segundos lá estavas tu, sempre carinhoso e afável, materializado num beijo quente e apaixonado.
Era assim que ia vivendo os meus dias, meio perdida no meu mundo real e meio perdida no desejo de saltar para o teu.
Metade de mim a suspirar pelos cantos e metade de mim a chorar quando batia de frente com a realidade.
Por isso desejava passar a vida, um palmo acima do chão. A realidade era muito dura e cruel para ser enfrentada quando só queremos sonhar. Quando só queremos desejar que algo muito importante para nós aconteça.
E o que eu queria, era simplesmente um cruzar de olhares contigo. Não pedia mais do que isso. Imaginava que o destino e que a força incondicional do meu amor por ti, fizessem o resto.
Que a verdade te assaltasse o coração, tal como quando batemos de frente contra uma parede.
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Comentários
Beijo estrelástico!
Alinhas?
Alinho sim. Vamos tomar café naquele sitio, o verdadeiro, o nosso... onde só nós conseguimos estar horas sem dizer uma palavra... apenas ouvindo os pensamentos um do outro!
Jinho