Curtas 15 - Aqui...

Aqui…
Olha bem para aqui.
Aqui para dentro, bem dentro.
Aqui, onde tudo eu centro, e diz-me o que vês.
Não vês? Então, sente.
Sente o pulsar das minhas veias.
Desertas e sedentas, de rebentar de emoção, de se maravilharem num só momento.
Num momento apenas...
Aqui…
Olha bem para aqui.
Andas distraído, eu sei.
Não sabes que aqui, eu morro um pouco todos os dias.
Pois, andas distraído, eu sei.
As minhas veias param de quando em quando e alguém faz por me sentir o pulso quando se apercebe disso.
Alguém, que não tu.
Alguém atento.
Alguém disposto a dar-me pouco do seu ar, do seu fôlego de vida.
Alguém que se partilha e se dá, sem intenção de ser retribuído.
E tu…
Andas distraído.
Não vês, não sentes.
Se ao menos aqui me lesses…
Talvez aqui passasses a compreender
De que material eu sou feita.
De Vidro ou Cristal,
Ou qualquer outra coisa ainda mais Banal.
Ao menos sabes que não sou plastificada?
Que sou tão transparente àqueles que me vêm
Aqui, bem aqui, bem dentro. No meu profundo ser.
Isso, tu sabes.
Eu sei.
Mas tu…..
Continuas tão distraído.
Comentários
O adquirir não apenas através dos sentidos,
Mas também dos sentires,
É uma forma de arte,
É algo que tem de ser muito trabalhado,
Para se conseguirem bons resultados.
Há pessoas,
Que ao não o conseguirem,
Chegam a parecer até distraídas,
Mas no fundo,
Não o são,
Apenas...
Não dominam,
Essa forma de "arte".
Gostei.
Beijo.
e acredita que por vezes as mensagens mesmo escritas com remetente ficam muitas vezes sub-intendidas... é horrivel pensar que de quem queremos atenção, em fases efémeras, não temos e muitas vezes pioramos por isso...
adorei o teu texto.
infelizmente, pois também o sinto na pele, a indiferença...
bjs
adorei
De banal é que este poema não tem nada.
Beijinhos
Um beijO
Beijinho
Ninguem me vê do mesmo modo. Ao olhar para a nuvem que está no céu, muitos imaginam ver uma águia, um elefante, um camelo... Da mesma forma, cada qual agarra em mim a realidade que mais lhe convém. Há quem me ache uma miúda muito engraçada, outros que acham a minha vida um grande tédio. Horrorizo meia dúzia de pessoas com a minha "má criação", ao mesmo tempo que fascino outra dúzia com a amenidade do meu temperamento. Por vezes empolgo três ou quatro tolos com "discursos" inteligentes, outras vezes não me importo de exibir um solo de estupidez diante de meia duzia de cretinos que se julgam espertos. A única divergência entre mim e a nuvem é que o pobre farrapo de vapor de água desliza pelo céu desprendido e alheio à opinião dos olhos dos homens... Consciente ou inconscientemente tento adaptar-me às necessidades das pessoas que me rodeiam. Sou sempre o que eles querem: boa, má, filósofa, feliz, horrivel, "coitada", engraçada, tudo... só nunca fui uma coisa: EU PRÓPRIA!
Aos novos:
Alquimista: volta sempre.
Kanoff: Entraste em grande! adorei o teu texto. Volta qdo quiseres.
A todos, beijos.