Domar o Pensamento (parte II)












Juro que tenho tentando.

Juro que até tenho pensado em deixar de pensar.

Mas o meu pensamento consome-me.

Ele em mim alimenta-se,

Gera-se, cresce e revolta-se.

Recolhe e diminui enquanto durmo.

Mas mal abro a pestana,

Lá está ele,

A tomar conta de mim.

Transformou-me em pura matéria encefálica,

Espalhada por todo o meu corpo.

Possuindo-me por completo,

Totalmente indomado.

E neste momento,

O meu pensamento és TU.

Tenho aquela noite no meu fluxo sanguíneo.

E sinto o pulsar das veias

à medida que ainda te sinto os beijos,

e as mãos entrelaçadas nas minhas.

Tenho um tremor de terra preso ao coração,

e um maremoto a revoltar-se nas veias

ambos em contagem decrescente….


Vai rebentar!

Um dia vai rebentar!


Espero que estejas comigo

Quando o meu chão tremer

Quando o meu ser inundar.


TU,

Que és a brecha do pensamento

Por onde me quero infiltrar.


Domar?!

Impossível…

Comentários

Brain disse…
Deixa que rebente!
Deixa que trema!
Deixa que inunde!

V-I-V-E!!!!!!!!!

Beijo.
ruth ministro disse…
Fantástico :) Adorei. Beijos
Dhyana disse…
Nenhum sentimento é domável seja ele qual for. Eu quando é assim, explodo mesmo, depois apanho os cacos e ponho-me inteira.
Beijos...
Claudia disse…
E ainda bem que é assim...

O meu beijo
A.S. disse…
Ninguém pode domar uma paixão minha querida! Se for preciso gritar, grita! levanta a voz como um trovão e expulsa relâmpagos pelo olhar... Mas não cedas!!!


Um terno beijo!
Tudo que escrevi até hoje
foram asfixias infatigáveis d’agonia,
intenções inconscientes para um segundo eu ler,
anomalias abjectas a tornar realidade já amanhã
com direito a promessa desconcertante
e cruel auto-desonra em seguida.
Mas, com estes livros que aqui nascem
toda a voracidade à tangente será recusada
e, do útero do caos, emergirá recompensa...
Repudio o óbvio massificado e creio
na individualidade universal capaz de
nunca se cansar de viver lamentos e palpites
que inflamarão o brilho de cada falésia,
como cócegas num cadáver idêntico
que, ao mínimo contacto, acolherá o impalpável
sem receios do nosso interior absurdo.
Os facilitismos da fala são substimados,
cegam a participação à imposição imediata
de cada confissão registada no auto dos olhos
poder assumir, sugerir achaques tão díspares em
imperceptibilidades onde intenções são sentenciadas
e grupos espessos formados...
Tanta sílaba já vi deambular no secretismo
da promessa suposta relegada para outro erro,
porque fúria é fracasso que colapsará
se te agarrares ao vexame da própria sarna;
desliga a mentira e abraça a integridade
quando sentires a sugestão constante
irradiar-se com calafrios compreensivos,
arremessa-te como um aperitivo no
espeto da cobra dorsal no licor ritual.



in TREPIDAÇÃO/TREPANAÇÃO 2004


WWW.MOTORATASDEMARTE.BLOGSPOT.COM
Anónimo disse…
Este poema foi um verdadeiro tremor de terra.

Excelente.