Domar o pensamento

Não julguem que ando por cá para ser domesticada.
Não julguem.
Não tentem.
Não pensem, sequer.
Os meus actos são regidos pelo que penso e não pelo que me parece melhor pensar.
Estou cansada de querer parecer, porque os outros assim o querem.
Querem-me?
Então, aqui me têm. Nua e Crua, com muito sangue vivo no prato.
Não falta quem queira.
Não falta quem goste do pulsar do pensamento, bem dentro das entranhas, pronto para vir ao Mundo. E quando se solta…. é do melhor!
Se quisesse engaiolar o pensamento, não escrevia. Não falava. Não gritava. Não era “controversa” e “fria”, como alguns delicadamente me apelidam.
Não expulsava os meus demónios como faço. Não os deixo acumular nem alimentar das minhas entranhas!
A cada passo, auto inflijo-me com um portentoso exorcismo! E que sensação!
Não ambiciono o céu nem santidade, caros amigos, cobardes e corajosos. Ambiciono a LIBERDADE!
E essa, ninguém ma tira. Não é uma afirmação, apenas. É uma PROMESSA.
Não querem?
Lembrem-se que têm uma borda do prato. Sirvam-se dela, seus cobardes!
Já vos disse:
Não julguem!
Não tentem!
Não pensem, sequer!
Não ando por cá para fastios nem para engolir a seco.
O que digo e o que faço escorrega que nem ginja, mesmo a sangue frio. Mesmo que me dilacere a garganta!
Haja é coragem e unhas para arranhar, atiçar e esgravatar pensamentos!
Gaiolas? Sim, tenho algumas, mas nenhuma delas tem portas ou janelas.
Por isso, escusam de ir ao chaveiro.
É que não têm hipótese nenhuma.
E parafraseando a cara amiga Estranha:
"Só tens duas opções na Puta da Vida: ou sim, ou não. E ela não serve sopas!"
Afinal, para que queres as unhas?!
Comentários
F-A-N-T-Á-S-T-I-C-O !!!!!!!!!!!!!!
Simplesmente e numa palavra: TU!
E a imagem... não fica nada atrás!
BEIJOOOOOOOOoooooo......
Y entonces tu, cruda, desnuda, al borde de una mesa donde el pan y el vino se ordenan
segun mi voz te toca.
solo los dedos de mi voz te miran.
Asi, tan cruda,
como la sangre de la tarde,
como la sangre roja del alba,
transparente para los ojos
pero roja para los dedos,
ahi, tu, aupada en la carne de los sueños
ahi, justo ahi,
donde las ventanas
trabajan sin descaso,
volando sobre todo este campo de exterminio
que son las periferias,
las orillas rotas, reventadas,
roidas,
las periferias de la abundancia,
de la puta pobreza de la abundancia.
Pero estas tu, ahi, cruda,
como la lengua de los sueños
Gostei. Beijinhos
as unhas... serviram para serem roídas!!! (mas foi por uma boa causa FCP Allez Allez).
E gostei de te encontrar nas marés das palavras. Matar para renascer.
Domar o pensamento?
Que pensamento? O que dizes a ti própria ou o que deixas os outros ouvir? Diferença substancial.
Não te agradeço a força, retorno a ti na intensidade das marés. Combinado?
Beijos ternos...
As unhas assustaram-me...
Karlotti: nuestro hermano, Bien-venido! Obrigada pela tua visita.
Utzi: Explosão mesmo. É o que vai cá por dentro.
Jocares: as unhas servem para muito mais! Não te limites a roe-las!
Alex: Bem vinda! E bem reaparecida!
A.S.: obrigada pela tua permanência já habitual por aqui e que tanto me agrada.
Un Dress: Bem vindo! Aparece sempre que quiseres.
Luis Eme: Não te assustes! Tenho garras afiadas, mas tb sou meiga.
Se tiveres coragem para voltar, serás bem-vindo.
A todos,
Beijos & Abraços
"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!
José Régio
Acho que diz tudo... Pelo menos a mim disse-me. Mudou-me a vida na adolescência. Grande parte do que sou deve-se a este poema...
Beijo FORTE
Nem tentem colorir as fogueiras
A minha alma dói. Simplesmente.
É a palavra de tudo querer, de tudo dar
São os trilhos de viagens e canseiras
As fontes onde nascem os rios onde tudo se sente
Não me perdoem, se em flor, tudo for cruel
Nem tentem esquecer-me ou enterrar
O meu peito corre. Talvez.
É a mortalha de um desejo feito fel
São os ruídos de um coração que se faz ao mar
As ondas onde refaço do que ninguém refez
Enfim... conseguir decidir e controlar o rumo a tomar....
FORTE.
Abraço carinhoso