Visceral








Por vezes acordamos com este sentimento:

O quanto humanos nós somos.

O quanto é possível Falhar.

Falhar em tantas e tantas coisas.

Falhar connosco e com os outros.

Falhar nos nossos intentos,

Falhar nas promessas por cumprir.

Falhar em valores que, de tão defendidos por nós,

Os consideramos inquebráveis, invioláveis.


E nós,

Que nos julgávamos donos e senhores de alguns deles,

Vemo-los a caírem aos pés,

Em mil e um estilhaços,

Sem possibilidade de os recuperar.


E vemo-los ali,

Vulneráveis, aos nossos pés,

Inertes e sem significado.


Ali,

Aos nossos pés,

Perdidos de nós,

Do que se pensava ser “eu”,

Do que se pensava ser “meu”.


Ali,

Como se tudo fosse mentira.

Tudo que defendemos,

Está no chão, aos nossos pés.


E é difícil aceitar,

Que tudo em que acreditamos,

Que tudo o que praticamos,

São despojos de um TUDO,

Partidos em NADA.


Nós, não os defendemos,

Ignorámo-los propositadamente.

Nós, não os deixamos cair,

Nós atirámo-los ao chão.


Ali,

Ali, bem em frente aos nossos pés,

Aos nossos pés descalços,

E de alma fragilizada,

Em mil e um estilhaços irrecuperáveis.

Como se os olhos tivessem chorado,

Mil e uma lágrimas de vidro dilacerante.


E eu hoje,

Ao contrário de todos os outros dias,

Sinto-me,

Visceralmente HUMANA.



Ao som de The Kill - 30 Seconds to Mars

Escrito com o sabor de um beijo.

Comentários

Brain disse…
É!

A condição humana tem várias facetas e vertentes e esta é uma delas.

Mas nada (com excepção da família) é imutável!
E os valores Putty,
Esses não fogem à regra.

Quantas vezes nos deparamos com o facto de, algo que consideramos errado ontem, nos parecer correcto hoje?

E isso,
Será um erro?
Terá sido um erro no passado?
Será um erro agora?
Não creio.

Muitas das vezes,
Não conseguimos apenas ver todos os lados das questões,
Abranger o todo das questões,
E à medida que vamos adquirindo mais conhecimento,
O nosso juízo de valor altera-se.

Pelo menos,
Eu penso assim.
Mas como sempre,
Isto,
Sou eu a falar.
Vale o que vale...

Á margem das possíveis considerações do conteúdo,
A forma,
Como sempre,
Espectacular!

BEIJO!
Brain disse…
PS: Mas para além de tudo, sentirmo-nos humanos,
É BOM!
Pois no final de contas,
Não é isso mesmo que somos?

Novo BEIJO,
Tu mereces!
Gasolina disse…
Só tenho um comentário:

PERFEITO.

Um beijinho, bom fds
Unknown disse…
Nada consigo acrescentar ao post! Apenas Excelente! Com um ritmo que apetece ler sem parar! Muito Bom*****!
Continuação de boas férias!
Alex disse…
Eu falho, falho tanto ... mas tanto, mas tanto ...
E sinto o chão fugir-me dos pés quando nada do que faço é suficiente, quando tudo o que dou não chega. E nunca chega. Nunca chega. Exausta...

Identifico-me muito com o que escreveste, muito mesmo. Estarmos vivos e sentirmos a vida tem um preço. Um preço muito alto.
As nossas emoções, os nossos sentimentos.

Um abraço apertado e sentido, é o que te deixo hoje, também de alma fragilizada.
Maria José disse…
E quantas vezes não se acorda e adormece de novo, perdendo a noção do tempo e da gente, olhando o vazio ao despertar e recordando o nada e nada mais, ao cerrar as pálpebras uma vez mais...
Existes e és humana, afinal quem não erra?

Beijo perdido
BF disse…
Tentar concertar o quebrado... apanhar os estilhaços para que deixem de estar aos nossos pés também faz parte da nossa condição humana... e, Tu mesma dizes que és.

Muito bonito
Beijos
BF
Gasolina disse…
Beijinhos e desejos de boa semana!
(de preferência bem rápida...)
Walter disse…
Eu ja errei mts vezes, erro outras tantas e sei que vou ainda errar muitas mais. Nao é o erro q me torna humano, mas aquilo que faço com eles. E a tua percepçao do erro é de facto magistral!Seguir viagem por estas tuas palavras foi fantastico
walter
MIMO-TE disse…
Somente porque não existem verdades absolutas. No fundo somos nós os juizes que avaliam com código próprio os nossos erros, e com total dureza. E' a condição humana. Erramos e raramente nos perdoamos.

Bjo
ruth ministro disse…
Como eu senti estas tuas palavras... Já as vivi.
Adorei.

Mil beijos :)
Pedro Branco disse…
Estamos sempre a voltar ao nosso próprio útero. Para de novo parir.
Anónimo disse…
Visceralmente HUMANA... a sociedade penaliza os nossos erros, perdemo-nos e reduzimos o nosso lado humano... é bom sentir que ainda há gente diferente, mas temos que nos lembrar nós mesmos disto quando criticamos os outros...

From moon to earth, this is Peter
Manuela Peixoto disse…
é bom, de vez em quando, sentirmo-nos humanos, genuinamente humanos, com todos os seus defeitos e todas as suas qualidades! bjo