Curtas 18 – Um Punhado de Vida

Tu entraste e eu tinha mesmo acabado de sair.
Fechei a porta. Arrumei a bagagem que me coube por inteiro num só bolso.
O que levo comigo é um punhado de felicidade que quero guardar no peito e na memória dos meus dias.
Mas a minha vida é isto mesmo: abraços de encontros, acenos de despedidas.
E eu começo a achar, que vou ter de me despedir do amor. Mais um. Mais outro.
Começo a achar que nunca vou ter mais do que isto: um único bolso cheio; um único punhado de felicidade a repartir pelos dias de solidão.
Um punhado de beijos para lembrar.
Um punhado de abraços para a pele recordar.
Começo a achar, que as minhas partidas serão sempre assim: um aceno, um punhado, um bolso. Um bater de porta sem intenção de a voltar a abrir.
Mas, curiosamente, continuo a deixar a chave da porta para trás. Inconscientemente deverei pensar que, haverá alguém disposto a ficar com ela para sempre, sem acenos, sem despedidas.
Alguém disposto a ficar em mim e eu nele.
Alguém de quem vamos sempre querer um beijo, um abraço, um aconchego.
Alguém de quem não vamos querer esquecer, porque não nos queremos esquecer de nós próprios.
Alguém com quem fazer história.
Alguém que nos faça dizer, isto sim, valeu a pena ser vivido. Valeu a pena viver!
Para já, vivo na ilusão do tudo puder acontecer.
A chave fica para trás.
O bolso continuará cheio até o despejar.
A mão fechada, lembra-me que, mais cedo ou mais tarde, vou ter que a abrir.
E o desejo de um dia ser Feliz, permanece. E eu permaneço por aqui, ainda.
Não quero bolsos, nem réstias de memórias passadas.
Quero que o punhado de vida que me resta, seja preenchido.
Acho, que não é pedir muito.
...
É...?
Escrito, literalmente, à velocidade da Luz.
Comentários
Eu tenho por convicção que estamos sempre a tempo,
Que é sempre possível,
E que nós,
Temos a OBRIGAÇÃO,
De procurar para nós,
SEMPRE mais e melhor!
Não creio que seja a história,
O passado,
Que determina o futuro.
Creio que o que o determina,
É a nossa vontade e capacidade,
E isso...
Isso depende apenas DE NÓS!
De ninguém mais!
NÓS PRÓPRIOS! Apenas!
Quanto ao escrito em si:
Fantástico como sempre!
Mas isso...
Já nem vai sendo novidade!
:)
Beijo.
De tudo o que pedes, nada é impossível.
Beijos breves...
Tu, além de o teres cheio, sabes o que ele contém.
Beijinho de sândalo, Gatinha
Não creio.
Beijos
Caminante, no hay camino (Antonio Machado)
Caminante, son tus huellasel camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino
sino estelas en el mar...
Todo pasa y todo queda,
pero lo nuestro es pasar,
pasar haciendo caminos,
caminos sobre el mar.
Um xi,
Mas alguem que sente assim e que revela essa sensibilidade só pode ter um amor verdadeiro guardado para si! Amanha é sempre outro dia e um dia será o de encontar.
Adorei o texto.
Bj
Bom fim de semana, Gatinha!
Beijo grande
Parabéns Putty!
Beijo Especial!