Curtas 21 – Relatividade










Sabes, tenho medo.

Tenho medo, que um dia destes, alguém tenha a ousadia de me vir falar de amor. Aquele amor banalizado, de príncipes e princesas, de castelos, tranças e cavalos brancos. Aquele Amor com que toda a gente sonha um dia, e que nunca acontece, mas que grande parte das pessoas, pensa que sim.

Tenho medo que este tiquetaque, em tom de bomba-relógio que em mim escondo, rebente, e te deixe escapar por entre as minhas sílabas danadas, sem ordem, principio nem fim e acorde aí, umas tantas consciências desenganadas pelas arritmias do coração.

Ousar falar-me de amor, depois de ti, parece-me impossível. Faz-me sentir que, ninguém o conhece como eu. Que ninguém o viveu como eu. Que mais ninguém teve o mesmo privilégio que eu tive.

Eu tive-o.

E eu tenho-o e guardo-o dentro de mim, quando outros se julgam capazes de saltar fora dele, para dele poderem falar.

Eu não te consigo falar deste amor. Não consigo saltar fora e racionalizá-lo, nem descrevê-lo na distância de ti. Parece-me humanamente impossível.

Este amor, não tem outra forma de expressão, que não seja a nossa. E eu, nem dessa forma consigo falar. Não o quero dissecar com adjectivos comuns. Acho que não o merece. É demasiadamente pouco para este TANTO.

O mais engraçado é que, no fundo, acho que toda a gente que diz que ama, pensa como eu.

E no entanto, isso, não deixa de me parecer, simplesmente, IMPOSSÍVEL de ser verdade.


Mas as verdades são assim mesmo. Relativas.

Tal como o Amor.


(written with a demon by my side, and an angel on my way...)


(imagem ?)

Comentários

Manuela Peixoto disse…
a verdade pode sempre ser relativa, depende do ponto de vista que nos colocamos, mas penso que o amor, no seu estado mais puro, não pode ser relativo.... bjinho
Anónimo disse…
Relativo? O amor?
Não me parece...
Para mim, o amor, ou é ou não é
O amor ou existe ou não existe

Existem é várias formas de amor, todas com seu encanto (amor de mãe, de filha, de amante ...)mas não me parece que sejam relativas.

Excelente curta.
Simone disse…
Lindo!

"Aquele Amor com que toda a gente sonha um dia, e que nunca acontece, mas que grande parte das pessoas, pensa que sim."

Ás vezes acontece mesmo...
Vitor disse…
O amor pode ser assim:

Um beijo e um queijo
Disse o gato para o rato!
Ela acreditou…
E logo o gato lanchou!

Ou assim:
Passo o dia a pensar
Se vou poder estar
Se vou poder amar
Amaciar
Beijar
Chorar
Jurar
Enfim dar...

Ou ainda assim:
Tocaste a minha alma
Não o devias ter feito
Assim poderia escapar
Assim poderia fugir
Agora só posso esperar
Que a minha toque a Tua
E que a Tua não queira fugir

Ou mesmo assim:
Depois de tu partires
Congelei os teus beijos
E agora beijo-os um a um
Porque de tão gelados
Ficam nos meus colados

Ou de mais mil e uma maneiras...gastava aqui as teclas a falar disso... é amor e ponto final...

Abraço
P-S disse…
Não existem varias formas de amar, mas existem varias formas de expressar o amor e de lidar com ele, na intensidade com que se sente, com que se dá e com que se espera rebecer...

Abraço
Sebastian disse…
Hum, o que é isso do amor?
Maria José disse…
Quando alguém me vier falar sobre amor, dir-lhe-ei apenas para abrir os olhos e os ouvidos, observando e escutando os múrmurios do momentos de cumplicidade que consegui ter. E aí terá a sua resposta.
ruth ministro disse…
Gostei imenso deste texto :)

Beijo grande
Pedro Branco disse…
Forte tempestade a do amor
Que me afoga a cada lamento
Fogo de tanto sonho, tanta dor
À deriva em mim na penumbra de cada momento

Forte cada lágrima decidida
Mesmo que fugaz ou brilhante
Toda a história, demasiadamente perdida
Onde o amor é só o Cavaleiro Andante
Gasolina disse…
Relativo... mas marca e abana, queima e tatua.

Como sempre, poderosa.

Um beijo enorme em ti
Jo disse…
amor. está cá dentro. manifesta-se de várias formas. mas tem sempre a ver com partilha. seja de um momento fugaz, seja de uma lágrima, seja de um abraço, seja de uma vida.

muito bonito, o teu texto.

beijo*
MIMO-TE disse…
O amor não vive de poemas, de sorrisos, de esperança no amanhã. O amor vive da procura constante no presente, dos gestos mais simples, do querer já e agora, da loucura de poder ser louco sem se importar. No amor só à Sim! e nunca talvez, só há já! e nunca depois.

Miminhos em ti
Walter disse…
fiquei sem palavras para te dizer o quanto gostei deste post. já o li e reli tantas vezes e so hj comentei...tamanha é o sentimento de esmagamento que sinto quando leio!adorei!
walter
vieira calado disse…
O amor é relativo.
Podia ter sempre acontecido outro. Tudo depende do lugar e do tempo.
Pode ser puro, mas mesmo assim ainda é relativo.
Cumprimentos
Anónimo disse…
As 4 letras juntas "A" "M" "O" "R" estão carregadas de estereótipos e conotações... fora! Tudo isso são grilhetas para nos formatar... apenas interessa a pureza e a intensidade, o fascínio, a intimidade... precisamos sempre de lhe dar um nome... "AMOR"