Sem Paredes não há Cor

As palavras tal como o Amor não têm apenas cor.
Têm histórias, cheiros e momentos.
Têm o nosso espectro e reflexos.
Têm sombreados e intenções estampadas em cada recanto.
Têm nomes e datas em cada olhar de soslaio.
Têm noites feitas num beijo e um nascer do dia num abraço apertado.
Têm o Eu e o Tu, retocado nos limites intersectados das linhas.
Mas no fundo não interessa muito a cor, muito menos se existe um papel de parede.
O que interessa, na realidade, é a consistência do material, e a forma como conseguimos manter as cores unidas, sem desbotar, sem se dissolverem umas nas outras, e sobretudo sem as largar.
As palavras, tal como o Amor, precisam do corpo. Da substância. Dos alicerces.
De que interessa a cor, se no final, as paredes que tudo amparam, não passam de uma fina camada de estuque, vulneráveis ao tempo e prontas a descascar.
E dessas paredes, de aparência consistente, infelizmente não faltam ao alto. E por mais que se mude a cor, o estuque é sempre o mesmo, o descasque inevitável e a ruína iminente.
E há quem nem se importe…
E há quem consiga viver assim…
Esperando que lá por dentro, sob a cor do estuque, não se enferruje de vez.
Texto re-pintado
Comentários
Lindo este teu texto com cor ;^)
tens um desafio
do outro lado da Lua ;^)
Beijos