Não sei
Em que lugar pousar agora os olhos.
Em que mesa descansar agora os cotovelos.
Ser certeza quando a dúvida me leva pela mão.
Nessa cegueira do querer, adormeceste. Ao fazer de conta que chegaste a um lugar que não existe.
(Abre os olhos...)
Mas os olhos já não pousam do lado de fora, por não saberem onde acontecer.
Rasam sós e muito levemente, a passagem dos dias, a tocar os nadas simultâneos.
E os medos. E as (in)certezas.
Porque não sei se saberei ser.
A estranheza de um fim sem nome.
A nascer de um gemido lento.
Em abandono. Quase absurdo.
Não sei se saberei ser regresso.
Mesmo antes de saber o que é ser partida.
Porque tudo é ruído silencioso. Enorme.
A estilhaçar num peito rasgado e sem sopro de dor.
Contínuo. Entre os nadas simultâneos.
Na indiferença dos dias.
E já não sei o que saber.
Já não sei o que (vale a pena) perguntar.
Não sei onde pousar os olhos, os cotovelos. Ou como largar a mão à dúvida.
Porque tudo são vidros.
E mais uma vez aqui estou.
Sem saber.
Que voz (quero) ouvir agora.

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