Amor & Ódio

O Amor tudo lava.
Lava almas,
Lava dores do corpo,
Lava mazelas e nódoas negras.
Só não lava sentimentos de perda.
Faz-nos voar, mas faz-nos cair também a toda a velocidade.
Faz despertar o que há de melhor e de pior nas pessoas.
Desperta risos incontroláveis e lágrimas devastadoras.
Enche-nos o coração de alegria,
E esvazia-nos os pulmões de um momento para o outro.
Deixa-nos as pernas bambas
E deixa-nos com vontade de não querermos levantar no dia seguinte.
A linha que separa o Amor do ódio é tão ténue, dizem. E acredito nisso.
Acredito que quem tem a capacidade de amar tem a de odiar.
E despertar o ódio é bem mais fácil do que despertar o amor.
Acredito nisso, porque é mais fácil.
Todos já odiamos, certo? E hoje continuamos a odiar. Sejamos verdadeiros.
E as razões que nos levam a amar e a odiar, estão tão próximas, embora circulem em estradas paralelas que a certo momento se cruzam.
E passamos a amor o que um dia odiamos e passamos a odiar o que um dia amamos.
O ódio não é incapacitante, é a forma da nossa alma se revoltar perante aquilo que não consegue aceitar ou suportar.
O ódio é gritante e também lava tudo. Mas este lava-nos a capacidade de sorrir e deixa-nos amargos, ácidos. Mas deixa-nos atentos. Alerta-nos como um alarme.
E destapa-nos a cortina de névoa que deturpa a vista do coração.
Deixa-nos sem alma e o coração negro, mas ele existe.
Amo quando tenho que amar.
Mas também odeio quando sinto que devo odiar.
Desmistifiquemos o ódio, porque nem tudo que envolve este sentimento é mau.

Comentários

Brain disse…
Putty, Putty...

Ódio: NUNCA!

Tal como o amor o faz, também o ódio nos deturpa a visão e a capacidade de análise. Apenas pensamos que ele clarifica, por nos "deixar ver" as coisas que o amor não deixava. Mas o inverso também é verdadeiro.

Eu pessoalmente, não "acredito" no ódio.
Não acho que deva ser cultivado nem instigado.
Já viste algo de positivo nascer do ódio? Eu nunca!
E eu acredito que devemos pautar a nossa existência pela construção de coisas positivas e não negativas.

A questão que penso que se deve colocar é a forma como as pessoas se deixam levar pelos sentimentos, sem se fazerem acompanhar pela capacidade de análise, que não deixa a que qualquer destes sentimentos nos conduza a extremos.
Isto sim, eu penso ser verdadeiramente importante e válido!

Quando se ama, de verdade, com coração e com "a mente", sabemos que a pessoa amada tem virtudes, mas também defeitos. E quando pensamos numa vida a dois, temos de contar com ambos, porque ambos são incontornáveis. E ao passo que quando pensamos ter de conviver com os aspectos bons do outro, isso não causa qualquer obstáculo, quando consideramos os defeitos... o caso muda de figura.

Quem odeia, torna-se odiosa o que conduz (no extremo de uma analise) à solidão.

Não gosto nem cultivo "radicalismos" e tanto o ódio como o amor cegos, são formas radicais de sentir.

Por isso minha amiga,
Uma vez mais digo:

Ódio: NUNCA!
Brain disse…
PS:
"Todos já odiamos, certo? E hoje continuamos a odiar. Sejamos verdadeiros."

Não Putty. Em plena verdade te digo, que EU NUNCA ODIEI.
E um dia que (e se) isso me aconteça, algo de muito errado se estará a passar comigo.
Oh meu querido Brain.
Ninguém aqui quer cultivar ódios, ou coisa que o valha.
Para mim o ódio é um sentimento inato às pessoas. Tal como existe a vida e a morte, existe o amor e existe o ódio.
vais dizer que ele nunca passou por ti.... ?!
Achas-me odiosa e solitária?!
Não me parece. No limite sou uma revoltada. Mas tb "sei" odiar, tal como toada a gente sabe!
Acho q não intrepretaste BEM o meu post.
Dou-te uma 2ª oportunidade! ;p
Estás ver?
Acho que uma névoazinta encobrui-te a capacidade de análise....
Anónimo disse…
Bom dia

Um texto interessante, sobre o amor e ódio.
Pela minha parte, concordo 100% com o Brain. Eu também nunca senti ódio, quando muito alguma pena, ou desprezo por alguém.
Também não sou de extremos, e talvez por isso nunca tenha odiado, e quanto ao Amor, também não o sinto de uma forma cega, sendo neste aspecto até um pouco exigente, impondo normalmente muitas condições. O meu lado racional é sem dúvida mais forte que o sentimental, e como tal racionalmente sei que o ódio não leva a lado nenhum, só pode ser negativo e destruidor. Será que o ódio não estará associado a alguma incapacidade de perdoar, e de nos colocarmos por vezes no lugar dos outros?
Brain disse…
Pois... mas aqui é que discordamos.

1. Eu não penso que o ódio seja um sentimento inato às pessoas.

2. DE FACTO o ódio NUNCA passou por mim. Já tive motivos para o sentir, mas NUNCA QUIS DEIXAR que assim fosse. Penso que pelo que escrevi nos meus comentários anteriores, dá para perceber porquê.

É óbvio que existem pessoas pelas quais não nutro qualquer tipo de simpatia, proximidade, etc, há pessoas mesmo que me merecem desprezo total e completo, MAS não nutro ódio por ninguém!

Não penso que isso seja saudável, logo não deixo que aconteça em mim!
Eu sou assim, "funciono" assim!

Não digo com isto, que não compreenda o teu Post, não digo que não compreenda o que digas e muitas vezes o que sintas.

Só te digo clara e abertamente, que não concordo que se odeie e já sabes o que eu penso, sobre a capacidade que todos temos (se assim o quisermos e com algum "trabalho") de controlar os nossos sentimentos.

Não te acho odiosa e solitária. Até mesmo porque ainda não viveste tempo suficiente para o seres. Se leres com atenção o que escrevi, verás que disse - no extremo de uma análise.

Mas em abono da verdade, também te digo que se calhar... se calhar também tu não odeias.

Interpretações........
Kitty: "ódio associado à incapacidade de perdoar". Se calhar. Não digo que não, até pq nem tudo eu perdoo. Sou assim, desde que me conheço.
Sou extremamente radical com quem me magoa SERIAMENTE, e não espero atitudes contrárias das outras pessoas em relação a mim. E nem por isso sou amarga. já vivi situações que me fizeram odiar e muito. Perdoei? Não. Apenas tento não pensar nisso e sigo com a minha vida para a frente.

Brain: para ti só tenho uma coisa a dizer-te. As interpretações são subjectivas. E como tal, tens o direito à tua opinião, tal como eu tenho direito à minha.
Pensamos de maneira diferente. E isso é bom!
Brain disse…
Ora aqui está o cerne da questão:

"Perdoei? Não. Apenas tento não pensar nisso e sigo com a minha vida para a frente."

E quando pensas? O que acontece?
Nada de bom concerteza!

Por isso, eu prefiro:
- Não esquecer (para não repetir);
- Não guardar sentimentos negativos (para não ter "partes cinzentas" ou negras, a moldar-me os sentimentos e disposições).

Eu vivo com TODO o meu passado presente em mim, sem deixar que isso me afecte o meu humor diário, sem deixar que isso me torne numa pessoa diferente, daquela que eu realmente gosto de ser: alegre, bem disposta, sempre disponível para os outros na medida em que eles o queiram.

E isto Putty...
Isto, esta predisposição (que neste momento se fosse a guardar sentimentos negativos relativamente a terceiros, de certeza não a teria) foi provavelmente o que nos aproximou.

Por isso eu digo, que rejeitando sentir, sentimentos negativos extremos, nos leva a conseguirmos melhores resultados.
Pronto, Brain. São perspectivas.
Amigos na mesma.
Para mim, é impossivel não sentir o que sinto.
Por isso é que somos diferentes uns dos outros e o mundo não tomba.

Se o consegues fazer, felicito-te por isso.
Anónimo disse…
Putty
Dando um âmbito mais alargado à questão, o ódio, está na base de muitos conflitos existentes no mundo. Conflitos/guerras que todos nós lamentamos, criticamos e desejavamos que não existissem. Será que anular este sentimento, com vista a um mundo melhor, não tem que começar por cada um de nós.
Não será pelo facto de toda a vida termos sido pessoas com determinadas caracteristicas e comportamentos, que o teremos que ser até ao fim. Á medida que a nossa vida vai evoluindo, nós vamos mudando, sempre no sentido de nos tornarmos melhores. A própria vida nos vai ensinando que o que hoje é, amanhã deixa de ser, que o que hoje somos, amanhã deixamos de ser. Temos que tentar é que essas mudanças sejam sempre para melhor, é esse o nosso papel.
Sim, mas não estamos a falar de ódio em sentido lato...
Vamos esquecer os "odiosos fundamentalistas" que só vivem para isso mesmo.
Estou a falar das pessoas individualmente e da sua "relação" com o ódio.
Anónimo disse…
oi
Quem me dera brain defender: Ódio: nunca!!

concordo com uma coisa, odiar só nos faz mal. infelizmente acho que é um sentimento que surge, como surgem todos os outros. (tu sabes quem me fez/faz sentir isso.)

sim, há momentos em que odeio e sempre que este sentimento é atenuado por algo de bom, logo de seguida vem até mim uma informação, logo de seguida há algo que acontece que me faz arrepender de ter dado uma aberturazinha.

o ódio surge quando a mágoa é tanta, quando o que nos fazem de mal (segundo os nossos olhos)é de tal forma continuado no tempo, que o sentimento se vai tornando cada vez mais forte.

nunca na vida senti isto.

e quando tu, brain, dizes que não deixas que este tipo de sentimentos se desenvolvam, que não deixas que os males do dia-a-dia te impeçam de sorrir, de ter o teu humor e simpatia carcateristicos (que todos gostamos e admiramos), diz-me: estás a ser verdadeiro com os outros? não será esta tua forma boa de estar uma capa. até que ponto uma pessoa pode estar sempre assim mesmo em dias bastante complicados (que também tens, como todos os outros)? estás a ser natural? ou estas a construir a tua imagem. (nota: não te estou a por em causa, digo-te que gostava de ser assim, porque todos à minha volta e eu própria lucrava com isso).

quanto ao ódio versus desprezo. quem me dera conseguir desprezar. um dia vou conseguir atingir esse estado, atingir esse sentimento em relação a quem neste momento sinto ódio (até custa escrever esta palavra). quando conseguir desprezar ficarei bem. porque agora o odio só me faz sofrer.
Anónimo disse…
Putty: bom tema, razão de alguma celeuma e posições mais ou menos extremadas.

Vejamos, o que entendem por ódio? Odiar é apenas querer mal ou é agir para FAZER mal?
Se for a primeira, sentida e alimentada na inércia da iniciativa, julgo que todos o sentimos em momentos menos agradáveis da vida. Momentos em que o nosso instinto de defesa e reacção é convocado para criar uma sólida barreira de más impressões, maus sentimentos com aquelas pessoas ou mesmo situações que nos magoaram profundamente. Trata-se de uma sensação de aversão e de raiva muito fortes, espoletados para criar separação, fronteira, distância.
Se se trata de um sentimento, uma vontade que nos incute acção para provocar / fazer o mal sobre outros, então, nesse caso, acho que estamos perante a força maligna mais pérfida que pode existir no ser humano. Cada caso é um caso e pode acontecer que possamos dar alguma razão (pelas causas) a quem assim procede. No entanto é sempre de lamentar e de fazer uso de toda a nossa presença e força interior para o evitar.
O melhor, se possível, é olhar para o lado, quando confrontados com quem “odiamos”, e puxar rapidamente por um bom pensamento, algo que na nossa vida, nos faz sorrir!
"(º0º)"
100% de acordo contigo, Rosinha!

Gostei da tua 1ª definição.
A parte em que apenas "sentimos" e não a que "fazemos".
Essa sim, é sórdida. E gente sórdida não falta por aí.
Brain disse…
"e quando tu, brain, dizes que não deixas que este tipo de sentimentos se desenvolvam, que não deixas que os males do dia-a-dia te impeçam de sorrir, de ter o teu humor e simpatia carcateristicos (que todos gostamos e admiramos), diz-me: estás a ser verdadeiro com os outros? não será esta tua forma boa de estar uma capa. até que ponto uma pessoa pode estar sempre assim mesmo em dias bastante complicados (que também tens, como todos os outros)? estás a ser natural? ou estas a construir a tua imagem. (nota: não te estou a por em causa, digo-te que gostava de ser assim, porque todos à minha volta e eu própria lucrava com isso)."

Papoila,

Eu compreendo que seja difícil de acreditar, ou melhor, de compreender a minha postura perante a vida.

Mas vou-te dar um esclarecimento.

Imagina uma pessoa se licenciou há 4 anos, vive sozinha numa casa comprada recorrendo a um empréstimo e se lamenta com a sua empregada (que vai lá 2 tardes por semana e ganha à hora), de ganhar pouco e trabalhar muito. Essa mesma empregada, perante a abertura, transmite-lhe que o marido se encontra desempregado há 3 anos e os 2 filhos menores que estão a estudar, levam umas sandes para almoço para a escola e que vive preocupada por elas ficarem na rua a maior parte da tarde, por não ter dinheiro para um ATL.
Não preciso dizer mais nada pois não?

Tudo é relativo!

Eu encaro a vida desta forma!

Já vivi situações MUITO difíceis. Enfrentei-as de frente e com maior ou menor dificuldade, ultrapassei-as. E digo-te muito sinceramente que para mim, na minha perspectiva há apenas uma situação insolúvel: A morte.
E esta, papoila, esta é talvez a única capaz de "atirar bem lá para baixo", sabes porquê? Porque me sinto impotente perante ela. Não há nada que possa fazer para a contornar, anular ou minimizar o seu efeito.

Passei por situações de morte já há alguns anos, sendo que a primeira foi completamente avassaladora.

Depois disso, passei a encarar a vida de outra forma, da forma que vocês conhecem.

Comparadas com essas situações, todas as outras se me assemelham como "menores". E repara que eu sinto as coisas assim, de uma forma natural, sem qualquer esforço da minha parte.

Por outro lado, acredita que quando te falo da minha boa disposição, ela é latente, não é forçada, pois eu aprendi a admirar e dar valor "às pequenas coisas" da vida, como o sol a brilhar, a minha filha a sorrir, etc.

Quando existe algo, que anula a minha boa disposição (o que é difícil), eu como que recolho-me em mim mesmo, sendo que para os outros, não chega nenhuma má disposição nem boa disposição, não chega é nada.
Logo, a questão da capa fica posta de parte.
Eu penso que se não posso dar nada de bom aos outros, então... não dou nada.
Desde há muito tempo que sigo o lema: "Se não tens nada de agradável para dizer, cala-te!"
E assim, em boa verdade te digo, que o meu silêncio, por vezes, é mais revelador que as palavras.

Quando algo me destabiliza (e agora estou a referir-me a enfoques "do tipo" dos que te destabilizam a ti) eu desprezo-os, ignoro-os, não lhes dou espaço para que eles de possam desenvolver.

O teu principal enfoque de problemas, que tu mencionas-te no teu comentários, tu não o podes ignorar, MAS podes minimizar o impacto e efeitos possíveis que ele pode ter em ti.
Se ele te diz algo de desagradável, o que tens a fazer é seguir o lema que já há muito te transmiti: "Isto não merece sequer a minha atenção, quanto mais o meu esforço".

E é o saber resistir à retaliação (desculpa) "gratuita", que a maioria de nós não sabe (ou não quer saber) fazer. Porque sentem que ficam em posição de inferioridade se em determinadas situações não der luta e não "sair por cima".
Para mim, a "violência" (sobre todas as suas formas possíveis que ela pode assumir) não resolve nada, só faz história.
E por isso, eu prefiro, participar num blog, falar com uns amigos, trabalhar mais, produzir melhor, concentrar-me naquilo que me pode ser de alguma forma profícuo e/ou gratificante, do que dispensar a minha atenção, esforço e energias nesse tipo de coisas.

Posto isto, acredita: Quando digo que não deixo que se desenvolvam em mim esse tipo de sentimentos, digo e faço-o de forma verdadeira, sentida e acima de tudo, natural.

Beijo especial para ti Papoila.
Anónimo disse…
beijo brain
Anónimo disse…
Realmente Brain,ter-te por perto é motivo para querer ser diferente e sorrir mesmo com "dor"!
Tu es a melhor das essencias humanas que já "vi".
Letras,palavras e actos!Eu sei ,já estive ao teu "colo".
Papoila,é desta energia que nos falta (e a todos) na maioria das vezes.
Semelhante,há quela frase:"Chorava por não ter sapatos e reparei que o menino do lado não tinha pés..."(não será assim...mas)!
Esquecemo-nos muito,da sorte que temos.E sobretudo,não agradecemos!