Apenas isto











Quando não há nada a dizer

Quando as palavras encravam na garganta

Quando as lágrimas não se soltam

Quando o grito se contém

Quando a vontade de fugir é adiada

Quando o espelho nos devolve apenas a solidão de um rosto

Quando tudo parece desencontrado

Quando o chão nos apela o olhar

E o céu se esquece de nós

Quando tudo parece estar perdido

Ou tudo está por descobrir

Ou tudo está ainda por viver.

Quando o silêncio nos devolve apenas…mais silêncio.


Quando as imagens nos retratam sem legendas


Quando te encontras contigo próprio

Quando consomes os teus demónios

E quando os anjos merecem morrer


É apenas isto.

Apenas isto.



Embrenho-me.




Escrito ao som de System of a Down

Comentários

ruth ministro disse…
E é o bastante.

Beijinhos
Alex disse…
Acontece um sufoco absurdo nesse chão que nos apela o olhar, eu diria até o corpo.

Li o que me escreveste ontém e compreendi a diferença entre um estado e outro.

Putty, que o chão fique longe do teu olhar!

Gosto de te ver brilhar, e tu brilhas pelas palavras, não nestas, mas noutras tantas, em quase todas as que escreves.

Um abraço bem apertado.
Anónimo disse…
Desculpas mas tenho que divulgar
Á uma iniciativa da Animal, que visa alterar a legislação no que diz respeito à protecção dos animais.
Eu tenho um link no cabeçalho do Blog
Vai ver e assina se concordares e já agora divulga por favor
Obrigado
Brain disse…
PS: Embrenha-te mas...
Não te percas!
Marca o caminho para voltares!

Beijo.
Maria José disse…
Apenas... um nada que consome por ser tudo.
Manuela Peixoto disse…
melancolicamente triste, no entanto tão real :)
Anónimo disse…
Nos picos da euforia ou embrenhados nas profundezas... mas vivemos

Um beijo
P-S disse…
Quando tudo isso acontece, fica contigo mesma e vive essas emoçoes à flor da pele que isso é sentir, é ser especial

gosto em ler-te...
Pedro Branco disse…
É por dentro de nós que os partos se dão
É por dentro de cada um de nós que as palavras estremecem outra vez
Porque tudo é mar, sangue e canção
De nos andarmos a procurar, talvez
Luis Ferreira disse…
Apenas uma palavra, adorei
Ana disse…
Surpresa boa encontrar as tuas palavras.
Beijinho.
Amei seu espaço. Vim linkando de Alex... Parabéns
Claudia disse…
Às vezes mais valia não haver nada mais a dizer. Ou se calhar até não há, nós é que temos sempre algo mais a dizer...

Beijo de regresso
Anónimo disse…
Quando as palavras se soltam nos nossos dedos libertamos a alma ... assim ...!
Alex disse…
não é apenas, é tanto.
um abraço apertado, quase a esmagar-te, mereces o meu maior respeito.
Lya disse…
tanto e tão pouco.

palavras para uma imagem igualmente bela.

beijo
jocares disse…
Acho tudo muito Lindo... mas eu acho que devias ter apagado a Luz... mete Brenha nela.

*

jocares
Branca disse…
E achas pouco?!
É o que de melhor, de mais puro devemos fazer, nem todos o conseguimos, e os que conseguem nem sempre o fazem...
Gostava de o conseguir fazer sempre e não difamar a vida, o mundo e a mim própria, como algumas vezes faço...

Beijinhos :)
MIMO-TE disse…
Pois é estás viva, a sentir o momento e consciente que depois outros bem diferentes irão surgir.

Viver é isso mesmo, sentimentos opostos que nos obrigam a lutar e a crescer.

Adorei o que escreves.
Mimos p/ti
Unknown disse…
Mas ainda nasce poema para se poder ler.

Gostei.

ZezinhoMota
O MEDO

Quando a luz pálida das lâmpadas se torna azulada,
Quando para onde quer que olhes a porta está fechada,
Quando a nossa própria sombra sente que é mal tratada,
Quando os comprimidos são móbil de solução dissipada,
Quando o sangue do lençol mancha o sofá dos pais,
Quando a dona aristocrática deixou em casa os sais,
Quando o primogénito tem uma almofada amarrotada na sua boca,
Quando os tronituantes faróis vociferam por um pouco de sopa,
Quando as indignadas rosas apodrecem humilhadas num elevador,
Quando contemplas os extremos pelo maníaco e notívago calor,
Quando a herética notícia é recebida com murcha indignidade,
Quando escondido em vácuo atroz se solta a impaciente ferocidade.

Sentes um arrepio na base da nuca?
Sentes a atracção repulsiva dos beijos duma puta?
Sentes a azia de vidros estilhaçados na garganta?
Sentes a ira contra o poder e a glória que não adianta?
Sentes o frio no intestino duma navalha?
Sentes o sucedâneo pouco original duma mortalha?

Não tenhas medo
És apenas tu mesmo ou
Os eus que estão dentro de ti!
(sem esperança não há medo)

2001
in sem-nome & mal-dito


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