A Difícil Empreitada que é o Coração
Há empreitadas difíceis! Aquelas que precisam de licenças e licenciamentos, projectos e projectistas, engenheiros e arquitectos.
Contraem-se créditos e compram-se terrenos. Iniciam-se infra-estruturas e erguem-se gigantescos pilares de betão. Dos tijolos fazem-se paredes e de telhas os telhados.
Há empreitadas que movimentam céus e terra para serem erguidas. E assim vai crescendo um arranha-céus, feito dos melhores materiais e com acabamentos de luxo.
Mas há empreitadas que afinal, não chegam a ser finalizadas. A obra embarga, o construtor abre falência, e a empreitada fica difícil de concluir. Mais ninguém quer acabar algo que outros começaram e não quiseram terminar. Assim, ali repousa um arranha-céus gigantesco e pomposo, que nada tem a não ser uma carcaça exuberante mas oca por dentro. Tem átrios ladrilhados, madeiras maciças e exóticas mas ninguém que lá queira morar. Está vazio, reduzido a abrigo para os bichos e almas que deambulam na noite.
Assim, são construídos os corações fúteis e egoístas. Bonitos por fora e vazios por dentro, vivem de aparências. No entanto, são tão vulneráveis e susceptíveis como qualquer outro coração.
Outras empreitadas há bem mais simples de levar a cabo. Não são necessários arquitectos nem projectos. Basta uma grande vontade dentro do peito e mãos dispostas a trabalhar.
Invade-se um pequeno terreno baldio, arrancam-se as silvas e ervas daninhas que teimam em nascer por todo o lado e ali se constrói uma espécie de contentor com duas aberturas: uma janela para deixar entrar os raios de sol e luar e uma porta para deixar entrar quem queremos e deixar sair quem já deu o que tinha a dar.
Ali se faz um lar de aconchegos e sentimentos, num espaço exíguo e ao mesmo tempo tão grande, onde todos cabem se houver boa vontade. E se para dormir não temos mais que um fardo de palha para partilhar, não faz mal! O calor de quem lá mora é suficiente para termos o conforto e o calor que necessitamos. E dormimos bem, em paz e com um sorriso tranquilizador, de quem nada teme, mesmo debaixo dessa estrutura que, parecendo tão frágil, é bem mais resistente que tijolos e cimento.
Assim nascem os corações puros e desinteressados. Não precisam de ser bonitos aos olhos dos outros! Isso não interessa! São cheios por dentro! Têm alicerces de sonhos antigos, e a vontade de se erguerem e de permanecerem de pé, é do tamanho do amor que albergam. É isso que os alimenta. Afinal, esse contentor que tanto contém, é um pequeno reino de Amor e Alento. Tem calor, afectos, sorrisos verdadeiros e braços sempre abertos, dispostos a dar mais, sempre mais!
E depois existem aqueles terrenos com placa “Vende-se” que ninguém quer ocupar.
Passam anos e anos e nada. Ali continuam, sujeitos às ervas daninhas e às silvas, ao vento e à chuva, ao desgaste do tempo.
Mudam-lhe a placa: “Vende-se pela melhor oferta. Urgente”, em sinal de desespero. É mais um terreno, afinal, como tantos outros, sujeito à sua sorte. Aguarda ocupação e alicerces seguros que não cedam. Gostavam tanto de albergar um pequeno reino e construir um pequeno castelo para dar as boas-vindas e o conforto necessário a um possível príncipe encantado disposto a habitá-lo.
Assim nascem os corações promissores e ingénuos. Só esperam ter alguém disposto a receber, o tanto que têm para dar. Não conhecem maldades nem egoísmos. Vivem no mundo dos sonhos e das ilusões. São altruístas!
Muitas vezes, estes corações são atraiçoados pela ansiedade de partilhar. Correm o risco de saírem magoados, porque, cansados de esperar por alguém que tarda, entregam-se a um qualquer ocupante, disfarçado de príncipe encantado.
O Reino que esperavam construir, resulta em poeira de desilusão. O Castelo erguido no ar e feito de promessas desfaz-se como um baralho de cartas, e o príncipe, depois de lhe provar um beijo, vira sapo.
E tu, já sabes a que empreitada pertences?
Contraem-se créditos e compram-se terrenos. Iniciam-se infra-estruturas e erguem-se gigantescos pilares de betão. Dos tijolos fazem-se paredes e de telhas os telhados.
Há empreitadas que movimentam céus e terra para serem erguidas. E assim vai crescendo um arranha-céus, feito dos melhores materiais e com acabamentos de luxo.
Mas há empreitadas que afinal, não chegam a ser finalizadas. A obra embarga, o construtor abre falência, e a empreitada fica difícil de concluir. Mais ninguém quer acabar algo que outros começaram e não quiseram terminar. Assim, ali repousa um arranha-céus gigantesco e pomposo, que nada tem a não ser uma carcaça exuberante mas oca por dentro. Tem átrios ladrilhados, madeiras maciças e exóticas mas ninguém que lá queira morar. Está vazio, reduzido a abrigo para os bichos e almas que deambulam na noite.
Assim, são construídos os corações fúteis e egoístas. Bonitos por fora e vazios por dentro, vivem de aparências. No entanto, são tão vulneráveis e susceptíveis como qualquer outro coração.
Outras empreitadas há bem mais simples de levar a cabo. Não são necessários arquitectos nem projectos. Basta uma grande vontade dentro do peito e mãos dispostas a trabalhar.
Invade-se um pequeno terreno baldio, arrancam-se as silvas e ervas daninhas que teimam em nascer por todo o lado e ali se constrói uma espécie de contentor com duas aberturas: uma janela para deixar entrar os raios de sol e luar e uma porta para deixar entrar quem queremos e deixar sair quem já deu o que tinha a dar.
Ali se faz um lar de aconchegos e sentimentos, num espaço exíguo e ao mesmo tempo tão grande, onde todos cabem se houver boa vontade. E se para dormir não temos mais que um fardo de palha para partilhar, não faz mal! O calor de quem lá mora é suficiente para termos o conforto e o calor que necessitamos. E dormimos bem, em paz e com um sorriso tranquilizador, de quem nada teme, mesmo debaixo dessa estrutura que, parecendo tão frágil, é bem mais resistente que tijolos e cimento.
Assim nascem os corações puros e desinteressados. Não precisam de ser bonitos aos olhos dos outros! Isso não interessa! São cheios por dentro! Têm alicerces de sonhos antigos, e a vontade de se erguerem e de permanecerem de pé, é do tamanho do amor que albergam. É isso que os alimenta. Afinal, esse contentor que tanto contém, é um pequeno reino de Amor e Alento. Tem calor, afectos, sorrisos verdadeiros e braços sempre abertos, dispostos a dar mais, sempre mais!
E depois existem aqueles terrenos com placa “Vende-se” que ninguém quer ocupar.
Passam anos e anos e nada. Ali continuam, sujeitos às ervas daninhas e às silvas, ao vento e à chuva, ao desgaste do tempo.
Mudam-lhe a placa: “Vende-se pela melhor oferta. Urgente”, em sinal de desespero. É mais um terreno, afinal, como tantos outros, sujeito à sua sorte. Aguarda ocupação e alicerces seguros que não cedam. Gostavam tanto de albergar um pequeno reino e construir um pequeno castelo para dar as boas-vindas e o conforto necessário a um possível príncipe encantado disposto a habitá-lo.
Assim nascem os corações promissores e ingénuos. Só esperam ter alguém disposto a receber, o tanto que têm para dar. Não conhecem maldades nem egoísmos. Vivem no mundo dos sonhos e das ilusões. São altruístas!
Muitas vezes, estes corações são atraiçoados pela ansiedade de partilhar. Correm o risco de saírem magoados, porque, cansados de esperar por alguém que tarda, entregam-se a um qualquer ocupante, disfarçado de príncipe encantado.
O Reino que esperavam construir, resulta em poeira de desilusão. O Castelo erguido no ar e feito de promessas desfaz-se como um baralho de cartas, e o príncipe, depois de lhe provar um beijo, vira sapo.
E tu, já sabes a que empreitada pertences?
Comentários
Assim os encontramos enquanto batem no peito de uma criança, sem "vícios do mundo" e "marcas da vida".
Alguns deles, os que têm "sorte", passam ao estádio de "puros e desinteressados" com a sua ânsia de partilha dos sentimentos "ricos" que o povoam.
O difícil, é que eles se mantenham assim!
Infelizmente, por ser o que "a vida" lhe incute, ou por não terem a capacidade de se "auto-controlarem", muitos tornam-se "fúteis e egoístas".
Não existe idade nem tempo para que estes diferentes estágios aconteçam. Para muitos ocorrem logo na infância, para outros, mais afortunados, os estádios ocorrem a uma cadência mais lenta, e em fases de vida adulta.
No entanto, para todos, existe sempre a hipótese de se converterem ao estádio de "abertos e generosos".
Assim o queira "o mundo".
Assim o queiramos cada um de nós.
Pessoalmente, deixo a quem me conhece, a avaliação da empreitada à qual pertenço.
Kiss, Me.